Após a quarentena de repouso, causada pela hepatite no pastor Robert, já com material da Cruzada do ABC, com uso de lampião a gás (que era uma atração no local, pois lançava uma grande claridade dentro da noite no bairro, ao redor da Escola), foi iniciado o curso noturno de duas horas diárias, por um período de oito meses. O pastor Robert, mesmo com sotaque de estrangeiro, era o voluntário e ajudava com sucesso alfabetizar 14 adultos, tendo aí também uma aproximação com os adultos da região.
    O senhor Kurt Schleich era mecanógrafo. Visando facilitar o trabalho do professor, doou para a escola uma máquina de escrever Remington antiga, mas de bom uso e uma calculadora manual, Facit para possibilitar, com maior agilidade, a prestação de contas e as médias dos alunos. A filha Úrsula, além de levar bolos ou salgadinhos aos seus alunos, ministrava, aos sábados, aulas de bordados, tricô, crochê e pintura em tecido. Aliás, a partir da família e parentes da família Schieich o círculo de luteranos foi aumentando.
    No domingo, havia culto na Escola, no início com pouca participação, mas que foi melhorando gradativamente, com o passar dos anos.
    O prof Erno participava com mais três académicos de um grupo vocal de músicas religiosas com evangélicos de diferentes denominações, durante um período de dois anos, apresentando-se em ocasiões especiais.

    Jul/70   

    No mesmo mês o pr. Robert, em acordo com o presidente da IELB. comprou uma escolinha de um pastor batista, no fundo de uma casa de BNH, no Bairro Jardim Petrópolis, em frente do aeroporto de Campo Grande. A escola comprada não se revelou um projeto auto-suficiente, pois sua clientela era pobre, não podendo arcar com suas prestações. As carteiras eram para dois alunos em tábuas muito finas e fracas. Na primeira chuva eram incontáveis as goteiras do telhado com pouca inclinação. O piso era grosseiro e de difícil limpeza e manutenção.

    Para trabalhar na escola comprada, que seria o segundo ponto missionário e anexo I do IVOCE, foi acertada a vinda do professor e diácono, Antônio Mittelstaedt e família, sendo que a IELB iria continuar pagando as prestações do imóvel hipotecado a favor da HASPA (sistema habitacional da época) e complementando o salário, caso as taxas dos 50 alunos não cobrissem esse valor. Logo foi providenciada a cessão de funcionários pelo Estado, tornando gratuitas as matrículas.

 
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